E a nossa chama se apagou...


Deixe-me explicar porque tenho um carinho enorme pela noite, ela foi nossa cúmplice, ela guarda até hoje aquela doce aventura – porém perigosa – que vivemos um dia, que escondemos do dia. Ela nos proporcionou um frio na barriga que só nós dois sabemos explicar, decifrar. E de repente aquele fogo que queimava e nos deixava com brilho nos olhos se apagou. Como uma brisa que passa e apaga a chama. Fácil. Rápido. Mas como tudo que queima deixa rastro, deixa cinzas, não foi diferente com a gente. As memórias continuam presente. Voltando a todo o momento. Quem sabe eu volte dia desses pra lá, pra rir, pra chorar, pra ser sua de novo, ou só pra te mostrar que eu te amei de verdade, mas que tu sempre zombaste, sempre duvidasse. Gostava do fogo do meu corpo, da minha alma, me tinha e me deixou ir embora. Fui sem hesitar, sem cobrar. Sem querer voltar. Tu sabias que eu era forte, tu sabias... Mas você não sabia que ir embora – e te deixar ali – me machucaria. Sempre me teve na palma das mãos, sempre teve cada pelo arrepiado quando sussurrava em meu ouvido, mas tu deixaste tudo isso se findar, sem dó nem piedade. Talvez tu nunca me leia, mas tu podes ficar tranquilo que tu está guardado aqui, no quente, no aconchego, quando tu quiseres vir, venha... Eu te entenderei a mão e te abraçarei. E assim, juntos, nos transportaremos para um mundo que era nosso. Onde não há perigo, não há complicações. Aliás, não há mais ninguém. Somos só eu, você e o que sentimos um pelo outro. Espero que volte. Quem sabe assim você me pede pra ficar... Fica tranquilo, eu tenho tudo guardado aqui, só te esperando. Pode vir... É tudo seu aqui.


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