De outro mundo



Parecia algo de outro mundo, nós dois deixávamos transparecer o mesmo tipo de amor, carregávamos a mesma culpa, a mesma falta de coragem de olhar um no olho do outro. Mesmo assim, não nos entregávamos. Algo nos impedia de finalmente nos unirmos ao amor que sentíamos um pelo outro. Amor esse que resistiu por anos. Intacto. Ileso. Mas que por muitas vezes doía pelo simples fato de estarem tão perto e tão longe. A diferença de mundo era grande e isso pesava, o destino é traiçoeiro... O tempo é traiçoeiro. Ele ia, e eu continuava aqui, talvez menos bonita, mas com o mesmo amor que depositei em suas mãos um dia. Ele era meu por direito, e acordar todos os dias sabendo que não teria seu corpo tão quente, e tão aquecedor junto ao meu me fazia tremer. Era doloroso imaginar o amor de minha vida nos braços de outras. Digo outras porque eu soube - desde a primeira vez que o vi - que sua beleza não seria "dote" de uma única garota. Mesmo assim eu o queria. O queria só para mim e faria qualquer coisa no mundo para tê-lo. Não precisava de rótulos. Só precisava saber que ele seria meu. Que ele voltaria. Eu precisava prendê-lo na palma das mãos por minutos, nem que ele ficasse ciscando como um pássaro com medo de ficar ali pra sempre, e como uma menina de fé - eu seguia assim, sem planos, sem pensar muito, - eu sabia que em algum momento ele viria. Viria e seria doce. E então ele poderia conhecer o sentimento que guardo dentro de mim por completo. Um amor tão puro que ele ainda nem sabe a força que tem, ainda reina dentro de mim com força, com a força de quem ama, de quem espera, de quem quer bem, de quem é capaz de dar gotas de sangue pra ter o seu amor. Eu daria.

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